• Raphael Uba de Faria

A Conquista do Polo Sul – Parte II: Amundsen

Olá, pessoal!


Roald Amundsen (ou Roald Engelbregt Gravning Amundsen, para quem preferir) nasceu em Borge, Noruega, em 1872, no seio de uma família de navegadores. Passou a infância e a adolescência lendo livros de exploração e vendo mapas do Ártico. Começou a cursar medicina por desejo da mãe, mas, aos vinte e um anos, quando ela faleceu, abandonou o curso e foi fazer o que ele tinha nascido para fazer: explorar os mares gelados!


Roald Amundsen

Direitos de Imagem: Domínio público

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Nlc_amundsen.jpg


Passados quatro anos em que caçou focas, buscou financiamento e fez cursos de navegação, o jovem norueguês se juntou à Expedição Antártica Belga, liderada por Adrien Gerlache, a primeira expedição científica que passaria um inverno na Antártica. Partindo de Antuérpia em Agosto de 1897, a bordo do navio Belgica, passou pela Ilha da Madeira, Rio de Janeiro e Montevidéu antes de chegar ao continente gelado em Janeiro de 1898. Então, como é muito comum por aquelas bandas, os problemas começaram. No dia 28 de Fevereiro o Belgica ficou preso no gelo quando tentava chegar ao Mar de Weddell. A tripulação só conseguiu libertar o navio no dia 14 de março de 1899, mais de um ano depois! Durante esse período, eles enfrentaram mais de dois meses de escuridão total (de 17 de Maio a 23 de Julho), o que fez com que muitos homens perdessem sua sanidade. Depois de se soltar, rumaram para o norte e chegaram de volta à Bélgica em Novembro do mesmo ano.

A experiência foi fundamental para o que Amundsen enfrentaria nos anos seguintes, mas, mesmo tendo ido à Antártica, suas motivações e objetivos principais estavam localizados no Polo oposto. Aos quinze anos de idade, quando se debruçava avidamente sobre os livros de exploração, Amundsen se deparou com o relato de sir John Franklin, explorador inglês que morreu em 1847 quando tentava atravessar a Passagem Noroeste.

Desde que os turcos tomaram Constantinopla em 1453 e os portugueses se empenhavam em encontrar uma rota para a Índia contornando a África, os ingleses queriam encontrar um caminho, que ficou conhecido como Passagem Noroeste, para chegar à Ásia contornando a América pelo Norte. Desde a primeira expedição com este objetivo, liderada pelo italiano Giovanni Caboto (que ficou mais conhecido pela versão inglesa de seu nome, John Cabot, assim como seu filho, o também explorador Sebastiano Caboto, conhecido como Sebastian Cabot) em 1497, a coroa britânica enviou uma série de exploradores para a região, mas nenhum deles teve sucesso. Encantando com o relato de John Franklin, realizar a travessia da Passagem Noroeste se tornou o principal objetivo de Amundsen.

Quando desembarcou do Belgica em Antuérpia, Amundsen acreditava estar pronto para realizar seu objetivo. A Passagem Noroeste é formada por uma série de estreitos cobertos por gelo, localizados dentro do Círculo Polar Ártico, no norte do Canadá, o que torna sua navegação extramente complicada. Assim como na Antártica, o maior desafio eram conseguir atravessar o gelo com os navios sem ficar preso nele. Foi exatamente assim que John Franklin encontrou seu fim. Portanto, a experiência no extremo sul foi fundamental para que Amundsen pudesse organizar sua expedição no norte.

Seu plano consistia em tentar a travessia com uma pequena tripulação a bordo do Gjøa, um navio igualmente pequeno, com calado raso (que é a parte da embarcação que fica submersa) e um motor de apenas treze cavalos de potência. Ele partiu de Oslo (na época, chamada Christiania) em 16 de Junho de 1903 e, por mais de dois anos, explorou as ilhas e os estreitos do norte do Canadá. Lá entrou em contato com os nativos, com quem aprendeu a utilizar, com maior propriedade, trenós puxados por cães. Finalmente, em Dezembro de 1905, Amundsen chegou à cidade alasquiana de Nome, localiza ao sul do Estreito de Bering, conquistando a Passagem Noroeste após mais de quatrocentos anos de tentativas frustradas.


A rota de Amundsen pela Passagem Noroeste

Direitos de Imagem: In Amundsen Footsteps

Fonte: http://inamundsensfootsteps.com/north-west-passage/


Roald Amundsen não era homem de se contentar com uma única glória. Realizado o sonho que nutria desde seus quinze anos, ele o substituiu por outro: ser o primeiro homem a chegar ao Polo Norte. Para tal empreitada, ele escolheu o famoso navio Fram, que era utilizado para expedições polares desde 1893. Entretanto, em 1909, enquanto preparava sua expedição, ele recebeu notícias de que duas expedições estado-unidenses haviam chegado ao Polo Norte. Mesmo assim ele continuou os preparativos e, em Junho de 1910, ele deixou a Noruega. Para a surpresa da tripulação, ele rumou para o sul e, quando chegou à Ilha da Madeira, avisou que os planos haviam mudado e que tentariam chegar ao Polo Sul! Do mesmo local ele enviou uma carta para a Austrália, informando sua intenção a nosso velho conhecido Robert Falcon Scott, que, portanto, sabia que sua tentativa de conquistar o Polo Sul havia se tornado uma corrida.


O Fram navegando pela Antártica

Direitos de Imagem: Domínio Público

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Amundsen-Fram.jpg


Da Madeira, Amundsen navegou diretamente até a Baía das Baleias, na Plataforma de Gelo Ross, na Antártica, onde aportou em 14 de Janeiro de 1911 e ergueu seu acampamento base, o Framheim. Assim como o grupo britânico, os noruegueses construíram depósitos avançados e esperaram o fim do inverno para iniciar sua viagem em direção ao Polo. Entretanto, pouco após sua chegada, os noruegueses receberam uma visita inesperada: o Terra Nova!

Após aportar, Scott enviou uma equipe a bordo do Terra Nova para explorar a Terra do Rei Eduardo VII. Sem conseguir se aproximar da costa por causa do gelo, os britânicos procuraram um local para aportar e foi então que chegaram à Baía das Baleias e avistaram o Fram. Eles se dirigiram ao acampamento norueguês e desembarcaram. Ficaram impressionados com a cortesia e, principalmente, com o profissionalismo dos noruegueses. Observaram que, ao contrário deles, o grupo nórdico não possuía trenós motorizados e nem pôneis, apenas trenós comuns e cães, muitos cães! Os homens retornaram e levaram a notícia para Scott, que mostrou preocupação, mas afirmou que não mudaria seus planos iniciais.

Amundsen enviou uma primeira equipe em direção ao Polo em 8 de Setembro, mas eles tiveram que retornar em função do clima extremo. Então, em 19 de Outubro, ele, Oscar Wisting, Olav Bjaaland, Sverre Hassel e Helmer Hanssen, partiram definitivamente em busca de seu objetivo. Impulsionados por seus cães e pegando tempo bom, eles progrediam, em média, 30 quilômetros por dia. Cinquenta e sete dias depois, em 14 de Dezembro de 1911, mais de um mês antes da chegada de Scott, eles se tornaram os primeiros homens a pisar no Polo Sul. Então, Amundsen fincou a bandeira da Noruega, ergueu uma tenda, fez medições, tirou fotos para marcar a conquista e, antes de partir para a viagem de volta, deixou alguns suprimentos e uma carta endereçada a Scott...


Expedição norueguesa atinge o Polo Sul. Da esquerda para a direita: Roald Amundsen, Helmer Hanssen, Sverre Hassel e Oscar Wisting. Fotografia tirada por Olav Bjaaland.

Direitos de Imagem: Domínio público

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:At_the_South_Pole,_December_1911.jpg



Referências:


http://inamundsensfootsteps.com/north-west-passage/

https://www.britannica.com/biography/Adrien-Victor-Joseph-Baron-de-Gerlache-de-Gomery

https://www.britannica.com/biography/John-Franklin

https://www.britannica.com/biography/Roald-Amundsen

https://www.britannica.com/biography/Roald-Amundsen

https://www.britannica.com/place/Antarctica/History

https://www.britannica.com/place/Nome-Alaska

https://www.britannica.com/place/Northwest-Passage-trade-route

https://www.britannica.com/topic/Belgica-ship

https://www.britannica.com/topic/British-Antarctic-Terra-Nova-Expedition

https://www.fazcomex.com.br/blog/calado-do-navio-o-que-e/

https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/naufragio-artico-encontrado-apos-170-anos-ajuda-resolver-um-grande-misterio

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