• Raphael Uba de Faria

Afonso de Albuquerque

Afonso de Albuquerque foi um Conquistador português e um dos maiores estrategistas de todos os tempos. Governador da Índia Portuguesa entre 1509 e 1515, foi o principal responsável pela construção do Império Português no Oceano Índico.

Nascido em Alhandra, no ano de 1452, Afonso cresceu na corte ao lado do futuro rei, Dom João II, de quem se tornou amigo. Serviu na África entre 1481 e 1491, onde se destacou por sua ferocidade em batalha. Após a morte de Dom João II, foi enviado à Índia, em 1503, pelo novo rei, Dom Manuel I, e participou de batalhas fundamentais para a dominação portuguesa da região, antes de retornar a Portugal. Em 1506 foi designado, secretamente, para substituir o Vice-Rei da Índia, Francisco de Almeida, o que aconteceu em 1509. O título de Vice-Rei era acompanhado de muitos poderes e, querendo reduzi-los, Dom Manuel o substituiu pelo cargo de Governador.

Afonso de Albuquerque

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Desde que Vasco da Gama chegou à Índia em 1494, os portugueses tentavam se estabelecer no local, mas sofreram inúmeros ataques e perdas desde então, pois o comércio na região era controlado pelos muçulmanos, que incitavam seus aliados hindus a atacar as instalações portuguesas. Além disso, a Índia era dividida entre líderes locais que sempre entravam em conflito. Quando uma região era invadida, as instalações de seus aliados também eram atacadas.

Os portugueses sabiam muito bem que seu país era pequeno, assim como sua população, o que impedia a colonização de um território tão vasto e densamente povoado quanto a Índia. Afonso percebeu, também, que apenas fundar entrepostos comerciais nesse país não era suficiente, pois sempre enfrentariam os ataques muçulmanos e hindus. Então, ele encontrou a solução que o imortalizaria: afastar os muçulmanos fechando todas as “entradas” para o Oceano Índico. Para isso, precisava reforçar o domínio português na costa africana e tomar cidades nos limites do Mar Vermelho, do Golfo Pérsico e dos estreitos que ligam o Oceano Pacífico ao Oceano Índico. Ao invés de conquistar a terra, Afonso de Albuquerque conquistaria o oceano!

Apesar de sua vastidão, os oceanos também possuem suas estradas. Os ventos e correntes marítimas não permitem que se navegue por qualquer lugar, principalmente em navios movidos à vela. Navegando fora destas rotas, corria-se o risco de ser empurrado para um local desconhecido, ser atirado em direção à costa, ou ficar preso em uma calmaria (quando não há ventos) por semanas, sem conseguir sair do lugar. O objetivo de Afonso era fechar essas estradas dominando as cidades pelas quais os navios eram obrigados a passar.

Por nove anos, ele se empenhou na conquista das zonas estratégicas e dominou Goa (que seria possessão portuguesa até 1961), Cambaia, Calicute e Narsinga, na Índia, Malaca (o maior centro comercial do oriente), na atual Malásia, e Ormuz, no Golfo Pérsico, mesmo com poucos navios, já muito desgastados. Em 1513, ocupou a Ilha do Camarão (Kamaran, atualmente pertencente ao Iêmen) e comandou a primeira incursão europeia no Mar Vermelho, mas sem conseguir grandes resultados. Também enviou e participou de missões a várias regiões do Sudeste Asiático e da China.

Quando estacionava em frente a uma cidade, vestia sua melhor roupa, e exigia o mesmo de seus homens, colocava uma capa escarlate, acomodava-se em um trono com sua longa barba e, sob uma atmosfera intimidadora, recebia os mensageiros em seu navio. Quando as cidades não se rendiam, disparava seus canhões de bronze, as armas mais potentes da época, que tornavam os navios portugueses praticamente imbatíveis.

Em 1515, logo depois de assegurar o domínio sobre Ormuz e próximo de completar seu objetivo, soube que seus inimigos na corte convenceram o rei a destituí-lo e que seu sucessor, Lopo Soares de Albergaria, estava a caminho. Amargurado e sentindo-se traído, morreu poucos dias depois, em seu navio, na viagem de volta a Goa. Ainda assim, através de suas conquistas o Oceano Índico tornou-se português! Certamente, Afonso de Albuquerque, foi um dos maiores responsáveis por Fernando Pessoa, séculos depois, poder ter escrito seus famosos versos:

“O mar com limites pode ser grego ou romano;

O mar sem fim é português.”



Referências


CROWLEY, Roger. Conquistadores. São Paulo: Editora Planeta, 2016.


SARAIVA, José Hermano. História Concisa de Portugal. 23ª Ed. Sintra: Publicações Europa-América, 2005.


https://brasilescola.uol.com.br/biografia/afonso-albuquerque.htm


https://www.britannica.com/biography/Afonso-de-Albuquerque


http://cvc.instituto-camoes.pt/olingua/09/lingua04.html


https://www.newadvent.org/cathen/01270c.htm

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