• Professor Wagner Lacerda

Nelson Rodrigues

Nelson Falcão Rodrigues nasceu em Recife, capital de Pernanbuco, no dia 23 de agosto de 1912. O quinto de catorze irmãos, Nelson mudou-se com a família para o Rio de Janeiro – então capital do Brasil – com cinco anos de idade, tendo seu pai, o ex-deputado federal Mário Rodrigues, ido tentar a vida como jornalista. Logo que chegou à cidade, o pai de Nelson conseguiu emprego no Correio da Manhã.

O próprio escritor afirma em suas memórias que os períodos da infância e da adolescência vividos em uma casa simples no Rio de Janeiro foram fundamentais para o desenvolvimento da sua obra, tanto pela convivência com a classe média da região – a quem observava e cuja hipocrisia viria a incomodá-lo futuramente – quanto pela descoberta de uma grande paixão: o futebol. Foi, também, nessa época, que o menino Nelson Rodrigues, bastante quieto e retraído, passou longos dias em casa devorando uma quantidade enorme de livros românticos escritos no século XIX.

Na década seguinte, com apenas 13 anos, Nelson começa a trabalhar com seu pai, que havia se desligado do Correio da Manhã e fundado seu próprio jornal: A Manhã. E qual era a função do então novato? O jovem Nelson Rodrigues era o mais novo repórter policial da cidade! Parece razoável pensarmos como a ocorrência de inúmeros casos passionais deve ter influenciado a mente do rapaz já “contaminado” pelo Romantismo... Logo após a fundação do novo periódico, a família Rodrigues atinge razoável e estável patamar financeiro e muda-se para o bairro de Copacabana. Pouco tempo depois, Mário Rodrigues perde seu jornal para um sócio... mas não desiste, fundando outro: A Crítica.

Em 1936, após uma sucessão de tragédias que envolveu a família Rodrigues – o fechamento de A Crítica, o assassinato de Roberto, irmão de Nelson, e a morte do patriarca Mário –, o jovem escritor envereda por um novo caminho: começa a escrever crônicas sobre futebol no Jornal dos Sports, periódico esportivo do qual seu irmão Mário Filho era sócio. Nelson Rodrigues revelaria, ali, sua grande paixão pelo Fluminense.

Busto de Nelson Rodrigues no Fluminense Football Club

Direitos de Imagem: Alexandre Magno Barreto Berwanger

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Busto_de_Nelson_Rodrigues_no_FFC.jpg

Já na década de 40, surge o dramaturgo. Em 1941, ele escreveu sua primeira peça: Mulher sem Pecado, que viria a ser apresentada no Teatro Carlos Gomes. E em 1943, Nelson leva ao público Vestido de Noiva, obra que revolucionou o teatro no Brasil. Exibida pela primeira vez no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em montagem comandada pelo lendário diretor e ator Ziembinski, a peça é considerada pela maioria dos críticos como o início do teatro moderno Brasil. E muitas outras peças se seguiram, sempre com muita polêmica e cercadas de discussões entre fãs apaixonados e detratores ferozes. Ainda na mesma década, ele escreveu diversas histórias sob o pseudônimo Suzana Flag, nitidamente influenciadas pelo drama, pela tragédia e pela forte carga erótica herdados dos escritores românticos do século XIX.

Posteriormente, em 1951, o jornalista Samuel Wainer funda o jornal Última Hora, onde trabalhariam Nelson e vários de seus irmãos. Foi nesse jornal que ele publicou diariamente uma série de contos intitulada A Vida Como Ela É, com textos que viriam a ficar bastante conhecidos em montagens televisivas exibidas no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, no ano de 1996 – nos anos seguintes, tais montagens viriam a ter várias reexibições.

Na década de 60, Nelson Rodrigues participou de diversos programas na Rede Globo, destacando-se o Noite de Gala, onde apresentava o quadro “A cabra vadia”. Nesse quadro, ele apresentava entrevistas imaginárias com importantes personagens da sociedade brasileira, extraindo deles afirmações e declarações que eles só fariam “num terreno baldio, à luz de archotes, e na presença de uma cabra vadia”.

O ano de 1970 é especificamente difícil para o escritor, que enfrenta uma série de doenças e de complicações advindas delas. Já recuperado, Nelson vê várias de suas obras chegarem, com sucesso, ao cinema e à televisão. Finalmente, no dia 21 de dezembro de 1980, após dez dias internado devido a diversas complicações cardíacas e respiratórias, Nelson Falcão Rodrigues falece aos 68 anos, na cidade do Rio de Janeiro, deixando órfã uma legião de fãs e aliviadas as hostes inimigas.

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