• Raphael Uba de Faria

O NASCIMENTO DO AUTOMOBILISMO

Atualizado: 23 de Out de 2020

Olá, pessoal!

O automobilismo, nada mais é do que o esporte baseado na corrida de automóveis, popularmente conhecidos como carros. Pode ser de diversos tipos: Fórumla 1, corridas de arrancadas, rali, corridas de resistência, entre outros. Mas quando surgiu o automobilismo? É sobre isso que falaremos hoje!

As primeiras corridas com rodas de que se tem notícia foram as corridas de bigas (carroças de duas rodas puxadas por cavalos). Mas, todo mundo que já foi criança um dia, sabe muito bem que, logo que inventaram as primeiras rodas, provavelmente uma criança mais atrevida deve ter desafiado os amigos para ver quem chegava mais rápido na próxima árvore empurrando uma roda. Da mesma forma, logo que inventaram os carros modernos, que usam motores de combustão interna (queima de combustível), a vapor ou elétricos, alguém achou que era uma boa ideia apostar uma corrida com eles.

Ao contrário do que muitos pensam, os carros elétricos não são invenção recente. Eles surgiram ainda no século XIX. Aliás, o primeiro carro a ultrapassar os 100 km/h, chamado “La Jamais Contente” (“O Nunca Feliz”, em tradução livre), tinha um motor elétrico! Ele foi criado pelo belga Camille Jenatzy, em 1899, chegou a 105,882 km/h em terras francesas no mesmo ano e, agora, descansa no Museu do Automóvel de Compiègne, na França. Como os carros elétricos percorriam pequenas distâncias e os movidos a vapor corriam sérios riscos de explosão, os carros movidos à combustão interna (queima de gasolina ou óleo) acabaram se sobressaindo. Aliás, o primeiro acidente automobilístico fatal ocorreu na Escócia, em 1834, quando o carro à vapor de John Scott Russel explodiu após tombar, matando quatro pessoas.

La Jamais Contente no Museu do Automóvel de Compiègne, em 2011.

Autor: Afernand74

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jamais_Contente_-_Compi%C3%A8gne_-_2011.JPG

A primeira corrida oficial de automóveis foi realizada em 1894, entre as cidades de Paris e Rouen (ou Ruão), na França. Ela foi chamada de “Competição de Carros sem Cavalo” (o termo carro também era usado para carroças e carruagens, essas, sim, puxadas por cavalos). O vencedor, o conde Jules-Albert de Dion, chegou a Rouen após 6 horas e 48 minutos, desenvolvendo a incrível velocidade média de... 19 km/h! O motor só tinha 3 cavalos de potência. Entretanto, o carro do conde possuía um motor a vapor, o que exigia que um foguista o ficasse alimentando. Os organizadores consideraram que isso estava fora das regras e ele foi desclassificado. Então, a vitória ficou com o segundo colocado, Georges Lemaître, que atingiu a velocidade média de 16,4 km/h.

Os franceses continuaram a organizar corridas entre cidades, inclusive chegando a outros países. Em uma delas, a corrida Paris-Madrid, realizada em 1903, acredita-se que até doze pessoas tenham morrido. Uma das mortes confirmadas foi a de Marcel Renault, que fundou a montadora Renault ao lado de seus irmãos Louis e Fernand, em 1899. Quando a corrida chegou à cidade de Bordeaux (ou Bordéus), no sudoeste da França, as autoridades francesas, ouvindo os rumores sobre as mortes, ordenaram o encerramento da competição e proibiram todas as corridas entre cidades no país. Os organizadores do evento tentaram reiniciar a corrida na Espanha, mas o governou espanhol não permitiu.

Se não podiam correr de uma cidade até outra, podiam correr dentro de uma mesma cidade. E foi o que fizeram. Muitas corridas desse tipo são realizadas até hoje, sendo, a mais famosa delas, o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, realizada nas ruas da cidade de Monte Carlo, capital do Principado de Mônaco (a primeira corrida foi disputada por lá em 1929). Hoje em dia vemos os carros correndo isolados do público, com barreiras e grades de proteção em volta da pista, mas, naquela época, muitas pessoas ficavam nas calçadas, muito próximas aos carros. Por serem perigosas, as corridas de rua foram proibidas em muitas cidades. Então, alguém percebeu que era mais seguro realizá-las em circuitos fechados! Grande ideia!

Público na linha de chegada do Grande Prêmio de Mônaco de 1931.

Autor: Agence de Presse Meurisse, Publico Domain, via Wikimedia Commons

Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louis_Chiron_winning_the_1931_Monaco_Grand_Prix.jpg

Durante muito tempo, as corridas mais populares foram as de cavalo, que eram realizadas em hipódromos (do grego híppos, que significa “cavalo”, e drómos, que significa “via para correr”, ou seja, "via para correr com cavalos"). Do outro lado do Oceano Atlântico, os norte-americanos perceberam que era possível realizar as corridas automobilísticas dentro desses hipódromos, adaptando-os para os carros. Surgiram assim, os autódromos, ou "vias para correr com automóveis". Nesse caso, os hipódromos deram lugar a autódromos ovais. O primeiro deles foi o autódromo de Milwaukee Mile, na cidade de West Allis, Estado de Wisconsin, em 1903. Desde então, os pilotos norte-americanos têm rodado e rodado em circuitos ovais por centenas de quilômetros, virando somente para a esquerda, principalmente no circuito de Indianápolis (oficialmente, Pista de Corrida à Motor de Indianápolis), fundado em 1909. Brincadeiras à parte, também havia corridas entre cidades nos Estados Unidos, a primeira delas tendo sido disputada entre Chicago e Evanston em 1895. Ela foi vencida por James Frank Duryea, que, juntamente com seu irmão, Charles, criou o primeiro carro movido à petróleo do país.

A ideia dos ovais chegou à Europa, onde, em 1907, foi inaugurado o primeiro circuito feito especificamente para corridas de carros (que tinha até inclinação nas curvas), o autódromo oval de Brooklands, na Inglaterra, com capacidade para 287 mil espectadores! Apesar de ser considerado oval, tinha um formato peculiar, sendo diferente dos ovais dos Estados Unidos, como vocês poderão ver nas imagens a seguir. O autódromo de Brooklands também servia de aeroporto e recebeu corridas até 1939, quando começou a Segunda Guerra Mundial. A partir de então, virou uma fábrica de aviões e, depois, um complexo industrial. Nunca mais recebeu corridas, mas a maior parte do circuito ainda pode ser vista, sobretudo, as curvas inclinadas. Lá existe um museu automobilístico criado em 1987.

Milwakee Mile

Autor: Eric Duff, Public domain, via Wikimedia Commons

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Milwaukee_Mile#/media/Ficheiro:The_Milwaukee_Mile.svg


Brooklands

Autor: Spiderlounge

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Brooklands#/media/Ficheiro:Brooklands_Circuit_Layout.svg


Uma das curvas inclinadas do autódromo de Brooklands em 2007.

Autor: John Chapman

Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brooklands_Members%27_Banking_from_bridge.jpg


Em 1921, os europeus se cansaram de girar em círculos e Jules de Thier e Henri Langlois Van Ophem idealizaram aquele que se tornaria um dos circuitos mais importantes de toda a história: Spa-Francorchamps, casa do Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1. Inicialmente, o circuito usava trechos de estradas públicas, mas, com o passar dos anos, foi sendo reduzido até se transformar em um circuito fechado e permanente, história que fica para outro momento. Depois vieram os igualmente lendários Autódromo Nacional de Monza, de 1922, (que acabou sediando uma corrida antes de Spa-Francorchamps), na Itália, Circuito de La Sarthe, de 1923 (onde acontecem as 24 Horas de Le Mans), na França e Circuito de Nürburgring, de 1927 (o mais longo do mundo, com 20,81 quilômetros), na Alemanha.

De volta a 1907, outro evento entrou para história, inaugurando uma nova forma de competição automotiva: o rali Pequim-Paris. Isso mesmo! Naquele ano, cinco equipes (Itala, da Itália, Spyker, dos Países Baixos e Contal, Dedion I e DeDion II, da França) foram formadas para percorrer uma rota de mais de 12 mil quilômetros entre as capitais da China e da França. Grande parte do trajeto foi feita seguindo uma linha de telégrafo por regiões que não possuíam estradas! Se não havia estradas, certamente não havia postos de gasolina, então, o governo chinês enviou camelos carregando combustível para diversas estações ao longo do caminho para que os competidores pudessem abastecer seus carros. Cada carro levava um jornalista, que enviava informações aos jornais a cada estação do telégrafo. Após 44 dias, o príncipe italiano Luigi Marcantonio Francesco Rodolfo Scipione Borghese, piloto do Itala, acompanhado do mecânico Ettore Guizzardi e do jornalista Luigi Barzini, chegou a Paris, vencendo a competição. O prêmio foi uma garrafa Champagne Mumm! Um dos carros, o da equipe Contal, atolou no Deserto de Gobi (que ocupa parte dos territórios da China e da Mongólia) e seus competidores só sobreviveram porque foram encontrados por habitantes locais.

Trajeto Rali Pequim-Paris de 1907, sobre um mapa atual.

Autor: Roke~commonswiki

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Peking_to_Paris_1907.PNG

Durante a década de 1930, o automobilismo continuou se desenvolvendo e novos autódromos foram surgindo (a exemplo dos autódromos de Brands Hatch e Donington Park, na Inglaterra), até que, em 1939, a Europa parou para lutar na Segunda Guerra Mundial. Somente depois do fim do conflito as competições retornaram.

Em 1948, os ingleses do Clube do Automóvel Real procuravam um novo local para realizar corridas de carro. Não era possível fechar estradas públicas para isso e, em função do fim recente da guerra, não havia dinheiro para iniciar a construção de um novo autódromo do zero. Foi então que surgiu a ideia de transformar uma antiga base aérea da Força Aérea Real em uma pista de corrida. Nasceu, assim, o lendário autódromo de Silverstone!

No início do século, em 1904, havia sido criada a Federação Internacional do Automobilismo, a FIA, para regular as competições de carro. No final dos anos 1940, a FIA começou a se movimentar para criar um campeonato mundial de automobilismo e, em 1950 teve início o primeiro Campeonato Mundial de Fórmula 1. Naquele ano, foram disputadas sete etapas, com a primeira, o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, acontecendo, exatamente no Circuito de Silverstone! As outras corridas foram o Grande Prêmio de Mônaco (no circuito de rua de Monte Carlo), as 500 Milhas de Indianápolis (no Circuito de Indianápolis), o Grande Prêmio da Suíça (no Circuito de Bremgarten), o Grande Prêmio da Bélgica (no Circuito de Spa-Francorchamps), o Grande Prêmio da França (no Circuito de Reims-Gueux) e o Grande Prêmio da Itália (no Autódromo Nacional de Monza). Ao final do campeonato, o italiano Giuseppe Farina se sagrou campeão! Estava inaugurada uma nova era no automobilismo!



Referências:

https://www.britannica.com/sports/automobile-racing

http://forix.autosport.com/8w/bdb.html

https://www.jaguarbrasil.com.br/news/automobilismo-tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-o-esporte.html

https://www.britannica.com/sports/rally-automobile-racing

https://www.oldracingcars.com/f1/1950/

https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/mundial-de-f1-em-1950-5755

https://www.fia.com/organisation

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