• Marco Túlio Gazzola

Quando o Cinema Revela o que Não Pode Ser Apagado

O progresso da humanidade, que pode ser constatado por cidades modernas, máquinas cada vez mais poderosas, fornecimento de alimentos, energia, transportes e diversos bens em escala crescente, é ainda contrastado pelas desigualdades que persistem. Mas não só isso, o preço pelo progresso, pela vida moderna confortável, nem sempre é exposto, na verdade, grandes indústrias preferem esconder as externalidades negativas que geraram ou que ainda geram no local onde operam. Apresentamos aqui algumas dessas histórias que a sétima arte resgatou e você precisa conhecer.


BHOPAL

Bhopal é uma cidade situada no centro da Índia. Fundada em 1728, a atual capital do estado de Madia Pradexe, possui cerca de um milhão e oitocentos mil habitantes.

No final do século XX, nessa cidade, instalou-se uma indústria produtora de pesticidas. A decisão de produzir esse material decorria da necessidade de atender uma demanda cada vez mais maior por alimentos. Nessa época, a economia indiana já oferecia condições que atraia empresas multinacionais: mão de obra barata, impostos baixos, controles ambientais frouxos, inclusive sobre o uso da água. Assim, a empresa norte-americana Union Carbide Corporation se instalou em Bhopal e lá operou até o dia 3 de dezembro de 1984, data em que ocorreu o maior acidente industrial e químico do mundo. O vazamento de gases tóxicos atingiu cerca de 500 mil pessoas e, ao menos, três mil mortes.


Capa do Filme Bhopal: a prayer for rain


Filme: Bhopal: a prayer for rain

Lançado em 2014, o filme Bhopal: a prayer for rain, coloca em evidência a sociedade indiana naqueles anos da década de 1980 para mostrar como esses desastres ocorrem. Dilip, pobre e desempregado, busca persistentemente por um bom emprego até que um dia consegue um trabalho numa recém-instalada indústria norte-americana. A falta de equipamentos de proteção, de treinamento adequado e o baixo salário são vistos como algo normal e, por isso, não impedem Dilip e sua família de ostentarem o orgulho do emprego fixo em meio a uma população com altas taxas de desemprego e miséria.


DEEPWATER HORIZON

Em 2010, plataforma marinha Deepwater Horizon explodiu na costa da Louisiana causando um derramamento, contínuo por mais de 80 dias, de cerca de 750 milhões de litros de petróleo no mar. É considerado o maior derramamento do produto da história dos Estados Unidos, e o maior vazamento acidental de petróleo da história.

O acidente tirou a vida de 11 trabalhadores e causou, ao produzir uma “maré negra" um gigantesco dano à vida marinha. De acordo com estudos, o acidente matou mais de 82 mil aves, 25 mil mamíferos marinhos e milhares de peixes.


Capa do Filme Deepwater Horizon


Filme: Horizonte Profundo- Desastre no Golfo

Em 2016, foi lançado o filme Deepwater Horizon (no Brasil, Horizonte Profundo – Desastre no Golfo), que mostrou como eram feitas as decisões sobre segurança feitas por executivos das empresas atuantes, a pressão sofrida pelos trabalhadores e o drama que viveram para escapar com vida após o mar ficar em chamas naquele momento do acidente.


CÉSIO 137

No ano de 1987, em Goiânia (Goiás), dois catadores de lixo entraram em uma clínica médica abandonada, furtaram os equipamentos que encontraram e venderam as peças para um ferro velho. Alguns dias depois, o dono do ferro velho ficou encantado com a luz emitida por uma das peças, e pensando tratar-se de uma pedra preciosa, mostrou aos familiares, vizinhos e amigos. Não só isso, abriu a peça extraindo pequenos fragmentos dela. Em pouco tempo a contaminação havia se espalhado, muitas pessoas foram hospitalizadas e a Comissão Brasileira de Energia Nuclear (CNEN) foi alertada. Ao final, cerca de 100 mil pessoas foram examinadas, 249 apresentaram níveis significativos de radioatividade em seus corpos, centenas de pessoas precisaram ficar isoladas em abrigos especiais. Esse acidente é considerado o maior acidente radioativo da história fora de uma instalação nuclear.



Capa do Filme Césio 137 - O Pesadelo de Goiânia


Filme: Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia

Em 1990 foi lançado no Brasil o filme Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia, tendo seu roteiro se baseado em depoimentos de vítimas. No elenco, Nelson Xavier, Joana Fomm e Denise Milfont conduzem a reconstituição dramática dos fatos.


MINAMATA

Minamata é uma pequena cidade costeira japonesa da província de Kumamoto. Na década de 1930, uma indústria de propriedade da Corporação Chisso começou a usar mercúrio para fabricar cloreto de vinila e acetaldeído, despejando os resíduos sem qualquer tratamento num rio que desaguava na Baía de Minamata. Alguns anos depois, a contaminação já era observada nos pássaros da região que após voarem de forma errática, caiam no chão e morriam. Depois, em 1956, verificava-se o primeiro caso de síndrome neurológica nervosa causada por essa contaminação por mercúrio, que viria a ser chamada de Doença de Minamata.

Em 2013, após várias rodadas de negociação envolvendo 140 países no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a cidade de Kumamoto sediou a Conferência Diplomática para a assinatura da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, com objetivo de proteger a saúde humana e o meio ambiente das emissões e liberações antropogênicas de mercúrio e compostos de mercúrio, e estabelecendo um conjunto de medidas para atingir esse objetivo. A escolha dessa cidade para a celebração do acordo indica a magnitude da comoção causada na sociedade internacional e a relevância obtida da temática ambiental para a humanidade a partir dessa tragédia.


Capa do Filme Minamata


Filme: Minamata

No início de 2021 foi lançado o filme Minamata, que trata do desastre ocorrido nesta localidade por meio da perspectiva do fotógrafo W. Eugene Smith (Johnny Depp). Além de Depp, o elenco conta com Hiroyuki Sanada, Bill Nighy e Minami Hinase. Vale a pena conferir esse longa.


Com essas quatro obras de desastres ambientais causados pelo homem finalizamos nosso texto. Continue acompanhando nossas postagens, elas são atualizadas diariamente no Insttagram e semanalmente aqui no site. Obrigado. Até mais!

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